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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Poesia na Butaca / Poetry in the Armchair: António Ramos Rosa

Alguém sabe o que é uma butaca?

Uma butaca é uma poltrona em espanhol. Os sofás que tenho em casa foram fabricados e comprados em Espanha. Mandei fazer um sofá e uma poltrona, e o senhor que me vendeu, como era espanhol falava do sofá e da butaca. Como a poltrona é o local onde escrevo e leio, assim nasceu a ideia de intitular esta rúbrica de poesia na Butaca.

Este é um espaço exclusivamente dedicado à poesia que outros escrevem. e à que escrevo.

Ao lado está a imagem (Logotipo) que representa esta rúbrica.


Does anyone know what a butaca is?

A butaca is an armchair in Spanish. The couches I have at home were manufactured and purchased in Spain. I sent to make a couch and an armchair, and you sold me as it was speaking Spanish sofa and butaca. As the armchair is where I write and read, so was born the idea of titling this rubric poetry in Butaca.

This is a space dedicated exclusively to poetry poetry that others write. and I write.

Next door is the image (logo) that represents this rubric.


Hoje, como não podia deixar de ser, a rúbrica é dedicada ao poeta António Ramos Rosa, (1924-2013) que morreu na segunda-feira, com 88 anos, deixando uma vasta obra literária.

Artigo sobre o poeta / Article about the poet:



Escolhi dois poemas da sua obra, por respeito não os posso traduzir por isso ficam apenas na sua versão em português.
 

I chose two poems of his work, for respect I can’t translate so are only in the version in Portuguese.




 Podcast:



Estar Só é Estar no Íntimo do Mundo


Por vezes cada objecto se ilumina

do que no passar é pausa íntima

entre sons minuciosos que inclinam

a atenção para uma cavidade mínima

E estar assim tão breve e tão profundo

como no silêncio de uma planta

é estar no fundo do tempo ou no seu ápice

ou na alvura de um sono que nos dá

a cintilante substância do sítio

O mundo inteiro assim cabe num limbo

e é como um eco límpido e uma folha de sombra

que no vagar ondeia entre minúsculas luzes

E é astro imediato de um lúcido sono

fluvial e um núbil eclipse

em que estar só é estar no íntimo do mundo


António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"


Não Posso Adiar o Amor

Não posso adiar o amor para outro século

não posso

ainda que o grito sufoque na garganta

ainda que o ódio estale e crepite e arda

sob montanhas cinzentas

e montanhas cinzentas


Não posso adiar este abraço

que é uma arma de dois gumes

amor e ódioNão posso adiar

ainda que a noite pese séculos sobre as costas

e a aurora indecisa demore

não posso adiar para outro século a minha vida

nem o rneu amor

nem o meu grito de libertação


Não posso adiar o coração


António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa"


Até Já / See you soon

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