Um Blogue sobre livros, poesia, filmes, tecnologias informáticas e cultura.

A Blog about books, poetry, films, computer technology and culture.

Translate

Pesquisar / Search

Seguir por E-mail / Follow by Email

terça-feira, 17 de abril de 2012

Poesia da Semana / Poetry of the Week: Ó / Oh Portugal - Alexandre O'Neill


Alexandre O'Neill (1924-1986)
Nem por acaso, andava à procura de um poema ou poeta para falar esta semana. E encontrei este poema de Alexandre O’Neill tão contemporâneo como o foi em 1965. E, assim, sem pensar duas vezes comecei a procurar saber mais e ouvir mais este poema e este poeta.
Deixo-vos aqui o resultado da minha indagação.

Not by chance I was looking for a poem or poet to speak this week. And I found this poem by Alexandre O'Neill as contemporary as it was in 1965. And so, without thinking twice I started to look more and hear more of this poem and this poet.
I leave you here the result of my inquiry.



Portugal


Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!

*

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para ó meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
Alexandre O'Neil,
in "Feira Cabisbaixa", 1965


PORTUGAL, Alexandre O'Neill - Rui Sprange


 PORTUGAL, Alexandre O'Neill - Filipa Leal

PORTUGAL, Alexandre O'Neill - Maria José Marques

 

PORTUGAL, Alexandre O'Neill - Susana Menezes


PORTUGAL, Alexandre O'Neill - Bruno Pestana

 



Portugal


Oh Portugal, if you were only three syllables,
Portugal no mundo / Portugal in the world
beautiful sea view,
green Minho, Algarve of whitewash,
jerico shaving the ridge of land,
deaf and hoops,
Mill grappling with a wind
testarudo, but rolled up and, ultimately, friend,
if you were just the salt, the sun, the south
Ladino sparrow,
the meek colloquial ox
rechinante the sardine,
desancada the fishwife,
the plumitivo paved with beautiful adjectives
moulting abuse almond
duns pestanítidos eyes,
if you were only cegarrega of summer, styles,
Rusty the dog beaches asthma,
the cricket cage, the crap on the lip,
calendar on the wall, the badge on his lapel,
O Portugal, if you were only three syllables
plastic, it was cheaper!

*

Confectioners Amarante, barristas Barcelos
lace of Viana, bullfighters Golegã,
there is "talk-of-angel" who is my Derrico,
rooster crows color on my shelf,
brightness leased to O my reverie,
banderilla that can adorn me the neck.

Portugal: issue I have with myself,
blow to the bone, entertains no hunger,
marrado setter and without noses, no partridge,
hack greased,
Friday head down,
my remorse,
my remorse for all of us ...
Alexander O'Neil,
in "Fair crestfallen," 1965

Até Já / See you soon

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...