Um Blogue sobre livros, poesia, filmes, tecnologias informáticas e cultura.

A Blog about books, poetry, films, computer technology and culture.

Translate

Pesquisar / Search

Seguir por E-mail / Follow by Email

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Poesia da Semana / Poetry of the Week


Wisława Szymborska (Kónik, 2 de Julho de 1923 — Carcóvia, 1 de Fevereiro de 2012).

Prémio Nobel da Literatura em 1996.

Nada duas vezes
Wisława Szymborska

Duas vezes nada acontece
nem acontecerá. E assim sendo,
nascemos sem prática
e sem rotina vamos morrendo.

Nesta escola que é o mundo,
mesmo os piores
nunca repetirão
nenhum inverno, nenhum verão.

Os dias não podem ser repetidos,
não há duas noites iguais,
não há beijos parecidos,
não se troca o mesmo olhar.

Ontem, o teu nome
em voz alta pronunciado
foi como se uma rosa
me tivessem atirado.

Hoje, ao teu lado,
voltei a cara para a parede.
Rosa? O que é uma rosa?
Será flor? Talvez rocha?

Porque tu, ó má hora,
me trazes a vã tristeza?
Se és, tens de passar.
Passarás - e daí a tua beleza.

Abraçados, enlevados,
tentaremos vencer a mágoa,
mesmo sendo diferentes
como duas gotas de água.

Czesław Miłosz e Wisława Szymborska, Alguns Gostam de Poesia. Antologia, Lisboa: Cavalo de Ferro, 2004:113, 135, 153




Wislawa Szymborska (Konik, July 2, 1923 - Kharkov, February 1, 2012).




Nobel Prize for Literature in 1996.


Nothing Twice
 
Translated by Clare Cavanagh and Stanislaw Baranczak
 
Nothing can ever happen twice.
In consequence, the sorry fact is
Wisława Szymborska
that we arrive here improvised
and leave without the chance to practice. 
 
Even if there is no one dumber,
if you're the planet's biggest dunce,
you can't repeat the class in summer:
this course is only offered once. 
 
No day copies yesterday,
no two nights will teach what bliss is
in precisely the same way,
with precisely the same kisses. 
 
One day, perhaps some idle tongue
mentions your name by accident:
I feel as if a rose were flung
into the room, all hue and scent. 
 
The next day, though you're here with me,
I can't help looking at the clock:
A rose? A rose? What could that be?
Is it a flower or a rock? 
 
Why do we treat the fleeting day
with so much needless fear and sorrow?
It's in its nature not to stay:
Today is always gone tomorrow. 
 
With smiles and kisses, we prefer
to seek accord beneath our star,
although we're different (we concur)
just as two drops of water are. 
 




Até Já / See you soon


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...